45º. Congresso Internacional de Fé e Alegria – MANIFESTO DA JUVENTUDE


45º. Congresso Internacional de Fé e Alegria
(Barranquilla (Colômbia: 16 a 18 de outubro de 2015)
Culturas Juvenis, Cidadania e Paz

MANIFESTO DA JUVENTUDE

Tudo começou timidamente, tornou-se um movimento seguro, depois uma gargalhada (cheia de rubor), que foi se apagando (na medida em que fomos nos dispondo ao encontro com os outros e as outras e que depois, com um abraço, voltou como um sol ardente (Edith Esther Dominguez Zamora – Panamá).
Este testemunho pessoal dado por uma colega, a propósito de um exercício de trabalho coletivo, poderia muito bem expressar a experiência deste Congresso Internacional de homens e mulheres jovens de Fé e Alegria. Iniciamos com certa timidez, fomos entrando em confiança, começamos a sentir-nos em Movimento. Com algum rubor fomos entrando em nossas vidas e na dos outros e outras, abraçamos causas comuns, e ao finalizar o Congresso, uma chispa começa a acender-se, desejosa de converter-se em luz que arda em nossos países.
Reunimo-nos aqui convocados no marco da celebração dos sessenta anos de Fé e Alegria, com o objetivo de visualizar horizontes compartilhados, em diálogo entre as gerações, junto aos diretores, e às demais pessoas da Assembleia Geral aqui presentes, para refletir sobre os frutos deste Congresso e as propostas que propusemos encarar, como juventudes de nosso Movimento de Educação e de Promoção Social.
Em primeiro lugar queremos expressar-lhes que as juventudes de Fé e Alegria nos reconhecemos como uma identidade compartilhada. Apesar das diferenças, nos une a experiência de ser parte deste Movimento, e nos invadem desejos de mudança. Viemos de países distintos e fazemos coisas distintas, mas nos unimos numa grande família, uma família internacional. Somos pessoas diferentes, com um só coração: o de Fé e Alegria.
Identificamo-nos como um trem desgovernado que vai com tudo e não se detém. Somos Fé e somos Vida, somos parte da mudança. Invade-nos um desejo comum de buscar a chispa que acende o mundo.
Somos homens e mulheres jovens, fortes, atrevidos e rebeldes ante a realidade pouco promissora na qual vivemos. Somos sonhadores. Vemos além do que nos tocou viver. Somos felizes fazendo o que gostamos e sendo nós mesmos. Identificamo-nos com a inquietude e a determinação. Somos a chave para abrir a porta para a mudança. Em suma, somos cidadãos e cidadãs deste mundo que reclama o nosso compromisso.
Neste espaço compartilhamos nossos desejos, sonhos e potencialidades a partir de nossa história pessoal, da partilha dessa história com o outro e a outra, do silêncio e do olhar, da capacidade para sonhar o futuro e trabalhar juntos com ele. Sentimos de maneira individual a força que nos move, assim como a raiva e a dor, a indignação e o sentir-nos vulneráveis, os sentimentos de fracasso e de morte. E finalmente conseguimos vislumbrar a esperança a partir do encontro com a outra pessoa, vulnerável como eu mesmo, mas forte no encontro e no abraço compartilhado.
Descobrimos que todos os países que existem ao redor do mundo e [que são] parte de Fé e Alegria, se indignam com suas realidades sociais. Vivem situações difíceis e complicadas ao redor e no interior de cada um (Zara Taborda Ospina – Colômbia).
Ao olhar nossos contextos indignamo-nos com os sinais de morte, como a VIOLÊNCIA, a Discriminação, o Mau trato, a Opressão, a Indiferença, a Desigualdade, a Intolerância, a Corrupção, os abusos de poder dos que governam e a Má educação.
Reconhecemos também nossas próprias realidades como geração: às vezes nos revestimos de conformismo e passividade. Muita energia para o bem, a qual não usamos. Uma juventude que não se projeta como deveria ser. Lamentamos a insegurança com que os jovens encaramos, algumas vezes, os desafios da vida ordinária.
Expressões como Humanidade em crise, Sonhos e pesadelos, Se você se submete à violência, ela te escraviza. A violência só gera mais violência, sintetizaram nossas indignações antes estes sinais de morte que degradam a vida humana e a natureza.
Descobrimos a importância de reconhecer as violências, porque daí surgem as oportunidades para transformá-las. Compreendemos que as violências têm múltiplas manifestações, desde a pessoal à institucional e estrutural. Violências diretas que vemos e às vezes também sofremos (entre amigos ou familiares). E outras, que não são visíveis, estão presentes na cultura (por nossas raízes, nossa orientação sexual, por ser homem ou mulher, nossa cor da pele, nossa condição econômica…) ou de maneira estrutural em nosso mundo, onde é difícil identificar os responsáveis diretos.
A nossa indignação ante a violência não foi por derrotismo nem por passividade. Temos reivindicado os valores da PAZ, a inclusão dos povos, o reconhecimento da diversidade, o respeito, a equidade, o amor, o diálogo, a solidariedade, a corresponsabilidade, a honestidade, a igualdade, a alegria, a justiça, a liberdade, a fraternidade e a esperança.
Temos imaginado outros possíveis e convencidos de que esses outros possíveis são possíveis. Pensamos a PAZ como uma responsabilidade comum e como um caminho para construir um mundo melhor, com dignidade.
Portanto, nós como jovens, temos a responsabilidade de contribuir para fomentar uma cultura de paz. Nós jovens podemos, sim, e temos a mudança em nossas mãos (Jorgelis Mencia R. González – Rep. Dominicana).
Entendemos que, se vamos acompanhados, chegaremos mais longe. Interiorizamos, também, que sem utopias não é possível mudar o mundo. Que os sonhos são os mapas dos navegadores que buscam novos horizontes. Pois não sonhar é não poder e, finalmente, que a indignação deve desembocar num projeto pessoal e coletivo.
Definimos duas grandes áreas de trabalho: Uma educação inclusiva de qualidade que humaniza e se transforma, e a construção de uma cidadania com o pleno exercício da verdadeira democracia para dar voz aos que não têm voz e somar nossas vozes para agir de modo conjunto .
Estamos convencidos e convencidas de que a mudança que queremos ver no mundo, começa com o nosso compromisso. Por isso, assumimos continuar juntos o caminho, refletindo sobre a nossa realidade, compartilhando nossos sonhos, metas, iniciativas, experiências e possibilidades da ação coletiva. Ou seja, queremos ser e estar em Movimento, um Movimento que constrói, que gera novas formas de pensar e conviver: um mundo que temos de cuidar.
Por tudo isso, convidamos-lhes a somar a nós num só ritmo, para que nenhum ser vivo, nesta casa comum que partilhamos, viva sem Fé, nem Alegria.
Quem somos? FÉ E ALEGRIA!
Que queremos? TRANSFORMAR-NOS PARA INCIDIR!
Quando vamos fazê-lo? AQUI E AGORA!

Cidade da Barranquilla, 18 de outubro de 2015

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